segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os dois fundamentos da fé

Texto base: Mt 7: 24 - 27
Escrito por: Rogério Jardim
Na trajetória de nossa vida sempre temos a oportunidade de fazermos escolhas sobre tudo o que julgamos importante. Na vida cristã não é diferente. A questão é que além de não sabermos discernir a verdade sem o auxilio do espírito de Deus, também não sabemos distinguir a diferença entre fazer a vontade de Deus e fazer o que agrada a Deus.

Passei por uma experiência que me fez refletir sobre este texto.

Há alguns meses atrás minha esposa e eu estivemos numa região do nordeste do Brasil, e chamou minha atenção ao passar por uma cidade onde havia casas muito bonitas e de alto padrão, construídas sobre uma superfície que a primeira vista parecia apropriada para sustentar os alicerces de uma construção. Mas conversando com um nativo daquele lugar, que nos acompanhava naqueles dias, fiquei sabendo que aquelas casas em construção corriam sério risco, inclusive de desmoronamento.



Aquela superfície que parecia bastante firme era nada mais que um monte formado por areias que vêm das dunas com o vento, formando uma base montanhosa que parece uma terra firme, mas na verdade é um amontoado de areia misturado na terra. E logo mais a frente ele nos mostrou algumas casas que já haviam sido finalizadas a sua construção e outras ainda em processo, porém os dois tipos de casas já haviam sido destruídos.

O que levou aquelas pessoas a correrem o risco de construírem suas casas naquele lugar foi o fato de se tratar de um lugar com uma vista linda de frente para o mar, e uma paisagem natural muito bela em sua volta com um pôr de sol de uma beleza sem igual. Porém se tratava de um lugar impróprio para construir.

Aquele rapaz nos explicou que ali a maré havia subido demais e acabou afetando a base de construção daquelas casas. Por ser um monte de areia não resistiu a força com que as águas bateram e desmoronou, causando uma grande ruína e prejuízo aos proprietários que investiram naquelas construções.

Quando vi isto não pude deixar de me lembrar da catástrofe que aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro, onde muitas pessoas tiveram suas residências destruídas por uma avalanche de terra que desmoronou com as chuvas em excesso, além de terem perdas irreparáveis como familiares que estavam naquelas casas no momento do desmoronamento.

Esses fatos me fizeram refletir acerca de nossa vida com base nesse texto.

Estes exemplos reais podem de certa forma, nos mostrar com mais clareza o que Jesus está querendo nos ensinar. Obviamente Jesus não estava dizendo que aconteceria um desmoronamento no Rio de Janeiro, ou que algumas pessoas construiriam casas sobre areias oriundas de dunas no nordeste do Brasil. Mas nosso senhor estava falando dos alicerces nos quais embasamos nossa vida.

Jesus estava falando com pessoas que viviam enganadas acerca da vida de fé por viverem sob opressão de um sistema político religioso, como mostra o versículo
29 “E falava como quem tem autoridade, e não como os escribas”. No versículo 24 Jesus afirma que “todo aquele que ouve estas minhas palavras”. Mas de que palavra Jesus está falando? Se voltarmos no versículo 21 Jesus está advertindo o povo que o escutava (V.28) sobre os falsos profetas e sobre lideres que ainda tinham as leis do antigo testamento como base de fé, porém estas leis não tinham o poder de salvar. As pessoas estavam construindo sua vida de fé em bases vulneráveis, nada sólidas.

Jesus estava contrariando um sistema legalista que tornava as pessoas tão intolerantes com as fraquezas do próximo que eram capazes de matar por causa da lei, mas eram incapazes de ter misericórdia dos mais fracos. Tratava-se de lideres que se achavam mais santos que os demais por terem a convicção de que guardavam os mandamentos e leis, e isso lhes dava o direito de exigirem dos outros a guarda destas leis, que para eles era determinante para agradar a Deus e obter o seu perdão.

Mas porque aquele grupo que era campeão em guardar as leis não fazia a vontade do pai? O versículo 22 mostra que esse grupo questionará o Senhor sobre isso, pois além de guardar as leis faziam muitos milagres no nome de Jesus, mas o Senhor dirá que não os conhece. Quando Jesus fala dos dois fundamentos de construção ele mostra como seria a eternidade daquelas pessoas se continuassem embasando sua fé em fundamentos incapazes de sustentar o plano de salvação para a humanidade. A salvação estava diante deles na pessoa de Jesus.

Expulsar demônios, curar enfermos, fazer caridade e outras obras mais é muito bom, e com certeza agrada a Deus. Mas existe uma diferença em fazer o que agrada a Deus e fazer a vontade de Deus. O apostolo Paulo afirma que todas essas obras é nada se não tiver “AMOR” 1ª aos coríntios 13: 1 – 3.

O termo usado pelo apostolo Paulo quando escreve a igreja de corinto é o termo αγάπη (ÁGAPE), este é um dos termos no grego que define a palavra “AMOR”, porém esta definição se refere a um amor diferente dos outros. Este é o amor incondicional, sem medidas, incompreensível, é o amor que faz com que seja possível alguém se colocar na situação de outra pessoa a fim de ajudá-la a trazer uma solução a partir da compreensão exata, por viver na pele aquela situação.

Foi este amor que Deus demonstrou para com a humanidade ao enviar Jesus para consumar a obra eficaz que traria o perdão e redenção por nossos pecados, sem precisar de leis e sacrifícios que não tinham o poder de salvar. O próprio Jesus nos dá uma lição do que é fazer a vontade do pai. O apóstolo Paulo descreve isso quando escreve aos filipenses (Fp 2: 6 – 11), fazer a vontade do pai é obedecê-lo, glorificá-lo em nossas obras e em todo o nosso viver.

Mas essa obediência só se faz presente em nossa vida a partir de um encontro verdadeiro com Deus, onde o resultado desse encontro é o fruto do espírito, que está relacionado a um caráter transformado pelo poder de sua presença, conforme instrui o apóstolo Paulo (Gl. 5: 22, 23). O amor ágape descrito pelo apostolo em 1ª Co 13 só é possível a partir desse processo.

Que Deus ajude sua igreja a entender seu verdadeiro chamado, e que nossos alicerces estejam fundamentados na rocha firme que é Jesus (Sl 62:6).



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