Enquanto escrevo esse texto fecha-se o 25º dia de confrontos na Faixa de Gaza, confrontos que já deixaram mais de 1400 mortos. Durante esse período inúmeros depoimentos, vídeos, imagens, textos, são divulgados na mídia, principalmente na internet, propagando inúmeras opiniões sobre o conflito. Nessa enxurrada de posicionamentos existem os que declaram o apoio a causa palestina, alegando contrariedade a política expansionista israelense; também há os que se colocam como apoiadores de Israel, pois alegam que um Estado não pode permitir que terroristas ameacem sua população; e também encontramos aqueles que não estão nem um pouco interessados no que vem acontecendo no Oriente Médio, pois não traz nenhum tipo de influencia direta em seu cotidiano.
Tenho lido diversas opiniões, tenho visto numerosos vídeos e notícias sobre a situação em Gaza e confesso que alguns posicionamentos têm me espantado. Respeito opiniões, posso não concordar com algumas, mas respeito, afinal opinião cada um tem a sua, porém me assusta como muitos têm formado sua opinião, ou melhor, as fontes que muitos têm usado para construir seu posicionamento. O que mais tem me incomodado e o posicionamento que cristãos tem demostrado, muitas vezes usando das redes sociais para propagar um apoio incondicional para um dos lados, utilizando de argumentos no mínimo questionáveis, ou ainda utilizando-se de meias verdades para defender uma mentira.
A intensão desse texto é, principalmente, lançar dados para enriquecer o debate e ajudar no entendimento dessas questões. Não quero aqui, de forma arrogante, resumir os problemas dessa região, que possuem no mínimo 117 anos desde o 1ª Encontro Sionista, nessas poucas linhas, mas descrever dados históricos e um pouco de reflexão para somar nesse debate. Espero, longe de buscar formar a opinião do leitor, fomentar a busca de aprofundamento no assunto ao invés de multiplicar ideias prontas, além de motivar a fuga de posicionamentos no mínimo infantis afirmando dicotomias como os maus e os bons. Nesse conflito histórico o que se pode perceber é que não há mocinhos.
Um pouco de História:
Antes de qualquer coisa é importante fazermos uma breve abordagem histórica. A questão básica de todos os conflitos entre Israel e Palestina é a terra, quem tem o direito sobre a terra. Apesar de se declararem movimentos milenares, o movimento nacionalista israelense e palestino são relativamente recentes, o israelense data de 1880 o conhecido movimento sionista, já o movimento palestino data aproximadamente do ano de 1920. Esse movimente teria surgido como uma reação ao movimento sionista que começava a ocupar a Palestina.
Em 1897, durante o primeiro encontro sionista, movimento internacional judeu, ficou decidido que os judeus retornariam em massa à Terra Santa, em Jerusalém de onde muitos foram expulsos pelos romanos no século III d.C. Imediatamente teve início a emigração para a Palestina, que era o nome da região no final do século XIX. Nessa época, a área pertencia ao Império Otomano, onde viviam cerca de 500 mil árabes. Em 1903, 25 mil imigrantes judeus já estavam vivendo entre eles. Em 1914, quando começou a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), já eram mais de 60 mil. Em 1948, pouco antes da criação do Estado de Israel, os judeus somavam 600 mil.
No final da Segunda Guerra Mundial, motivados pelo horror do holocausto e do sentimento anti-semita na Europa milhões de refugiados deixam a Europa para se unirem aos sionistas na Palestina. Mas a política de restrição à imigração judaica era mantida pelo Mandato Britânico. Os grupos militantes judaicos procuravam infiltrar clandestinamente o maior número possível de refugiados judeus na Palestina, enquanto retomavam os ataques contra alvos britânicos e repeliam ações violentas dos nacionalistas árabes.
Em 28/04/1947 a Assembleia Geral da ONU abre o debate para a criação de dois Estados: um Palestino e um Israelense. Comitês são criados para estudar a região e tentar chegar há uma solução. Um fato marca o período, o conhecido episódio do Exodus. Em julho de 1947, um grupo de mais de 4,5 mil judeus sobreviventes do Holocausto embarcou em Marselha com o objetivo de alcançar a Terra Santa. O Reino Unido, que controlava o fluxo de imigração para a região, aportou o navio, mas obrigou os passageiros a voltarem em outras embarcações para a Alemanha depois que uma rebelião impediu a volta para a França. Esse fato comove o mundo e a ONU determina que o mandato britânico na região deveria acabar. O projeto da divisão da Palestina em dois Estados é a resposta da questão referente a soberania da região.
Em 29 de novembro de 1947, a resolução 181 da Assembléia Geral das Nações Unidas, considerando que a guerrilha e terrorismo de organizações judias ameaçavam a paz, decide pela divisão do território em dois Estados: os judeus receberiam 57% do território, enquanto que os árabes (que constituíam a maioria) ficariam com 43%. Jerusalém seria uma cidade internacional, o chamado “Corpus Separatum”. Apesar dos judeus constituírem apenas 1/3 da população da região milhares de árabes ficam sobre a jurisdição judia.
Logo após a aprovação pela ONU da partilha das terras os árabes tomam as ruas em protestos violentos. Estabelecimentos de propriedade de judeus são atacados, judeus respondem as agressões também com violência: os conflitos urbanos totalizam em um mês aproximadamente 450 mortos.
Em 09/04/1948 outro fato importante para a história dos conflitos, 120 terroristas invadiram e ocuparam o povoado de Deir Yassin, a oeste de Jerusalém. Testemunhas oculares relataram que eles foram de casa em casa e abriram fogo contra seus moradores cerca de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, algo atualmente reconhecido por historiadores israelenses como um processo sistemático de banimento ou deportação. O massacre de Deir Yassin torna-se um símbolo e milhares de palestinos fogem para o que sobre da Palestina, Gaza ao Sul e a Cisjordânia a Leste, muitos cruzam a fronteira para o Líbano ou para a Síria.
Em 14 de maio de 1948, David Bem-Gurion declarou a fundação do Estado de Israel, não aceita pelos Estados árabes limítrofes mais o Iraque, que no mesmo dia atacaram o recém fundado país, iniciando a primeira guerra árabe-israelense. O objetivo da junta árabe é a destruição total do Estado judeu e a ocupação rápida dos refugiados. A guerra termina em 1949 depois de seis meses, com a derrota da Liga Árabe (Egito, Síria, Líbano, Transjordânia e Iraque). A Palestina, agora, tinha uma cara completamente transformada. A Partilha, acertada pela ONU, dois anos antes, foi para o espaço: entre 1947 e 1949, Israel não se limitou a defender suas fronteiras, avançando sobre território alheio. Se antes os israelenses controlavam 55% da região, a fatia crescera agora para mais de 75%.
Desde então inúmeros fatos fomentam as disputas e o ódio na região. Em 1964 ocorre a criação da OLP (Organização de Libertação da Palestina), Organização política formada em 1964 com o objetivo de lutar pela independência da Palestina, território que fora ocupado por Israel. Teve um papel centralizador dos vários movimentos de resistência clandestinos e veio a perseguir os seus intentos tanto pela luta armada como pela via diplomática. Nasce como uma organização terrorista, mas em 1991 a OLP deixa de ser vista como organização terrorista na Conferência de Madrid.
Outro marco nessa história é a conhecida Guerra dos Seis Dias, em 1967. A importância da Guerra dos Seis Dias, como ficou conhecida, foi enorme e ainda define em grande parte os conflitos de hoje. Primeiro, ela provou a abissal superioridade militar de Israel. “A guerra foi travada em locais desérticos e desabitados, onde a vantagem tecnológica é tudo”, diz Paulo Vicentini, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Além disso, o Estado hebraico expandiu ainda mais seu território.
A partir de 1978 muitas tentativas de se chegar a paz faram feitas, sempre interrompidas por fundamentalistas de ambos os lados. Em outubro de 1981 o presidente do Egito Anwar Al Sadat foi assassinado por fundamentalistas muçulmanos, que o acusavam de "haver traído o mundo árabe com o acordo de paz", o Acordo de Camp David. Já em 1995 Yitzahk Rabin, primeiro ministro israelense, é assassinado por um fanático religiosos da direita israelita, com o objetivo declarado de interromper o processo de paz. Ou seja, a história dessa região é marcada por avanços e muitos retrocessos motivados por ambas as partes.
Todo esse breve relato ainda é muito superficial, cabe uma pesquisa sobre: a Guerra do Yom Kippur (1973); O Acordo de Camp David (1978); a Operação LITANI (1978); a saída de Israel do Líbano (1985); As Intifadas (1987); Os Acordos de Oslo I e Oslo II (1993;1995); etc. Enfim é um aglomerado de acontecimentos que possuem inúmeras particularidades que somados confeccionam o cenário complexo da região, fatos esses que tem servido de combustível para a perpetuação do ódio entre os radicais de ambos os povos.
Assim reitero a impossibilidade de ser taxativo para definir quem tem razão nesse quadro geral e incomodo-me com a arrogância de determinados grupos que tentam simplificar a questão do Oriente Médio em vídeos de cinco minutos, textos inflamados ou palestras de uma hora de duração. Muito mais assustado fico quando opiniões são declaradas em púlpitos para tentar construir algum tipo de posicionamento. Claro que todos têm algum tipo de posicionamento, porém todo aquele que milita por uma posição tende a apresentar apenas um lado da questão, tende não contar toda a história e isso é perigoso, isso beira a manipulação, principalmente quanto elegemos um lado “do bem” e o outro “do mal”.
Israel, Palestina e o apoio incondicional:
Outro grande problema que vejo na questão Palestina (e quando cito Palestina me refiro à extensão territorial e não ao povo) é o apoio incondicional que os adeptos a qualquer um dos lados normalmente demostram. Ou você está a favor de Israel, e justifica as mortes de milhares de palestinos, ou está a favor dos árabes, e então justifica os ataques que partem de Gaza e legitima atos terroristas. Ou seja, apoio sem nenhuma restrição, sendo que nem mesmo árabes e israelenses possuem um posicionamento incondicional em prol de suas lideranças.
Em uma entrevista a um canal de teve egípcio Hamdi Bakhit (um ex-general egípcio) teria afirmado que: “A [re]ocupacão israelense de Gaza será melhor do que o governo do Hamas, que bombardeia Israel com foguetes dia e noite e priva o povo de uma sensação de segurança". Também em matérias divulgados pela mídia o representante palestino no Conselho de Direitos Humanos da ONU teria afirmado que “Cada um dos mísseis que estão sendo lançados, constituem um crime contra a humanidade...” Aqui no Brasil o filósofo Luiz Felipe Pondé atribuiu a um “marketing geopolítico” do Hamas a morte de 423 palestinos, incluindo cerca de 100 crianças, contra Israel (declaração feita dia 21/07). “O Hamas espera que muitos palestinos morram para dizer que Israel é mau. Isso é puro marketing”. Segundo ele, “o grupo palestino se esconde atrás da população civil porque sabe que quando Israel é obrigado a revidar, muita gente morre e a mídia internacional embarca de novo no estelionato geopolítico”.
Em contra partida em artigo no jornal israelense Haaretz, David Grossman, um dos mais importantes escritores do país, afirma que Israel tentou o caminho da paz “apenas uma vez”, em 1993, ano em que o premiê israelense Itzhak Rabin e o líder da ANP (Autoridade Nacional Palestina) Yasser Arafat assinaram o Acordo de Oslo. Grossman aponta a “lógica deturpada da desesperança” no texto. “O caminho da guerra, da ocupação, do terror, do ódio, já tentamos dezenas de vezes – e neste exato momento estamos experimentando este caminho novamente, quando foguetes atingem os habitantes do sul (de Israel) e bombas são lançadas contra os habitantes de Gaza. Nós nunca nos cansamos deste caminho. Como pode ser que justo da paz nós desistimos após um só fracasso?”, se pergunta. Além disso, no dia 10/07/2014 Israelenses desafiaram a maioria em protestos contra os ataque à Faixa de Gaza, segurando um grande cartaz com os dizeres: “A Ocupação Está Matando Todos Nós”.
Além desses relatos há inúmeros cristãos que vivem em Gaza e que são constrangidos por membros do Hamas, além de palestinos que odeiam o Hamas, porém vivem com medo. Já em Israel encontramos críticos como o historiador Shlomo Sand, nascido na Áustria e radicado em Israel e Judith Butle filósofa judia que criticam a política israelense. Ou seja, há muito mais o que analisar do que apenas quem atacou primeiro.
O Hamas e o ciclo de ódio:
Creio que posso afirmar sem medo de errar que um dos grandes obstáculos para as conversações para uma possível paz é a existência do Hamas, grupo político, considerado terrorista, que tem a maioria no parlamento que governa a Faixa de Gaza. Diferentemente de seu partido opositor, o Fatah, que vinha buscando uma aproximação com Israel em prol da paz, e que tem como seu principal expoente o líder palestino Yasser Arafat (morto em 11/11/2004), o Hamas representa uma ala extremista que não aceita a existência do Estado de Israel.
No lado israelense encontramos um governo que não demonstra um interesse pela paz, pois se recusa a recuar e tem nos atos radicais do Hamas o argumento necessário para propagar sua política expansionista, obtendo em seu discurso de “autodefesa” total apoio da maioria da população. Cria-se um ciclo de ódio: para o governo de Israel é importante o ódio palestino para justificar seus ataques e para o Hamas as retaliações israelenses servem de combustível para aumentar o ódio na população palestina, ganhando assim apoiadores. Como negociar a paz entre representantes que não aceitam recuar?
Por mais simplista que parece essa reflexão ela não está longe da realidade, o palestino hoje é um indivíduo que tem sido alimentado pelo ódio à Israel. Independente de quem tenha dado o primeiro disparo fica difícil qualquer tipo de racionalização enquanto sua casa é destruída ou enterra-se um filho mutilado por um bombardeio. Quando você vê seu vilarejo, sua casa, sua família sendo morta por ataques de aviões terrivelmente equipados, acuado em uma faixa territorial minúscula e super povoada, e um grupo que promete o fim desse terror independente das circunstâncias, não há muito que racionalizar: o ódio é alimentado.
Além disso, não podemos ignorar que existem grupos que são beneficiados com a guerra, sejam tais benefícios políticos, financeiros ou religiosos. Parece claro a necessidade de uma liderança que unifique as negociações, ou então um levante entre a população de ambos os povos para pressionar seus atuais lideres. Infelizmente enquanto esse ciclo de ódio não parar de ser alimentado tal idéia parece cada vez mais utópica. O fim da guerra parece possível apenas se os políticos israelenses ficarem sem votos ou os terroristas palestinos ficarem sem apoio popular. No entanto o atual quadro não suscita grande animação, eu temo que o fim dos conflitos ocorra com a extinção do povo palestino.
Israel, povo de Deus?
Durante todos esses terríveis ataques o que vem sendo propagando por muitos cristãos é a afirmação que esses confrontos referem-se ao cumprimento das profecias bíblicas e que os acontecimentos em Israel tem toda relação com nossa fé e com nosso Deus. Afirmam que Deus está restabelecendo a terra que prometida aos judeus e que o Senhor peleja por Israel, pois Israel é Seu povo. Nesse ponto creio que tais cristãos insistem em um erro perigoso.
Não há como relacionarmos o povo liberto da escravidão no Egito, liderados por Moisés por intermédio da mão poderosa de Deus, com o Estado de Israel hoje. De modo algum o Estado de Israel, o povo judeu, pode ser denominado como o povo eleito, simplesmente porque é impossível agradar a Deus sem reconhecer Seu Filho. Esse tipo de teoria torna-se terrivelmente perigosa, pois beira a heresia. Aceitar que um povo que nega Jesus Cristo como Filho de Deus e único caminho para a salvação é o povo de Deus é negar a necessidade de Cristo para chegar ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6). O fato de eu crer que Deus tenha um propósito futuro de salvação em Cristo aos judeus não tem nada a ver em afirmar que o Israel de hoje é o povo de Deus e com isso afirmar que os conflitos na Faixa de Gaza cumprem a vontade de Deus para o seu povo.
Creio que a eleição do Povo de Israel não se anulou, ou seja, creio que, embora seja um mistério para mim, chegará o dia em que os judeus, que atualmente foram excluídos da Igreja a fim de darem lugar aos gentios, serão novamente enxertados. Em Romanos 11.1 Paulo afirma que “Pergunto, pois: terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.”, ou seja, aqui o apóstolo declara que apesar da desobediência Deus não a rejeitou definitivamente e ele, o apóstolo Paulo é a prova disso, pois é “israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim”, porém tal eleição somente se confirma através de Cristo Jesus. E em Romanos 11:26-32 Paulo afirma isso quando revela o último propósito de Deus de mostrar misericórdia sobre judeu e gentio de igual forma, ou seja, a misericórdia prometida à Israel é a mesma que repousa para o palestino, a salvação em Cristo Jesus. O povo de Deus é a Igreja!
Outro detalhe que não podemos esquecer é que o estabelecimento de Israel como povo de Deus foi mediante aliança, aliança essa quebrada por Israel. Em Êxodo 19:5 está escrito “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha.” Ora, um analise rápida sobre a história de Israel demostra que tais preceitos não foram seguidos, principalmente o fato da rejeição dos judeus ao Filho de Deus já demostra que tal aliança inexiste. A aliança hoje de Deus que estabelece a eleição de Seu Povo é o sacrifício de Cristo, negá-lo é negar a Deus. E Jesus afirma isso em Mateus 21:43 “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.” Não há como relativizar tal afirmação do nosso Senhor, Ele veio para os judeus, mas eles não quiseram aceitar a verdadeira mensagem de Deus, assim ficam sem a herança de salvação de Deus, mas a Igreja redimida passa a ganhar herança dessa salvação, tornando-se Povo de Deus. A reconciliação de Israel, o enxerto só há em Jesus Cristo.
Em Atos 10:34-36 está escrito “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.” , fica claro aqui que O Israel de Deus é a Igreja, composta por aqueles que confessam Cristo como Senhor de suas vidas, independente da língua, etnia, povo e nação, sejam eles israelenses ou palestinos.
Conclusão:
Odeio essa guerra. Reconheço que todo Estado atacado tem o direito de se defender, mas não concordo com a retaliação israelense desproporcional, assim como eu odeio a forma covarde com que o Hamas tem usado sua população para se esconder, transformando-os em alvos dos mísseis de Israel. Lamento toda a morte nesses conflitos, lamentos as 56 famílias dos soldados e dos dois civis israelenses mortos que não verão mais seus filhos, assim como lamento os mais de mil civis palestinos mortos entre eles inúmeras crianças e idosos. E definitivamente não vejo a vontade de Deus na vitória de Israel.
Creio na total soberania de Deus em todos os fatos históricos, nada escapa de seus olhos, ninguém surpreende a Deus, porém não vejo como vontade de Deus os acontecimentos na história atual de Israel como prescritas pelas Escrituras. Não consigo conceber a hipótese de que Deus esteja pelejando a favor de Israel, conduzindo com Sua mão poderosa os mísseis que assassinam crianças. Assim como não consigo aceitar a ideia de que seja da vontade de Deus a existência do terrorismo, dos extremistas do Hamas e de seus ataques a Tel Aviv. Pois se eu concordar que a maldade que há no mundo é obra da vontade de Deus, como acreditar que Deus é todo bondade? Não é da vontade de Deus a existência de algo que Ele odeia e Deus odeia a maldade. O modo como Israel e o Hamas resolvem suas diferenças, o ódio que ambos alimentam e a guerra que proporcionam é o resultado do pecado no ser humano, é o resultado da depravação total que sofre o homem por causa do pecado.
O que motiva os conflitos entre Israel e o governo da Faixa de Gaza são fatores políticos e econômicos e nada tem a ver com profecias contidas nas Escrituras. Acho legítimo Israel se defender contra as investidas radicais do Hamas, organização essa que tem procurado exterminar Israel e tem prejudicado o povo palestino, porém não consigo manifestar-me favorável a guerra e fico profundamente triste quando vejo cristãos aprovando os conflitos, declarando que Deus está com Israel e justificando tantas mortes.
Que possamos olhar para esse conflito com o coração quebrantado e misericordioso, que possamos orar pelos povos árabes que carecem de Cristo; que possamos orar pelo povo judeu para que reconheçam Cristo como Senhor; que oremos pela paz entre árabes e judeus; que venhamos clamar pelos cristãos que habitam em Gaza e que estão sofrendo com os conflitos, além de orar por aqueles cristãos que são perseguidos por judeus e árabes. Enfim, oremos para que todas as nações que habitam a região da Palestina, israelenses e árabes, tenham suprido sua maior carência: Jesus Cristo; e que assim, e somente assim, sejam enxertados na videira, fazendo parte da Igreja e consequentemente tornando-se verdadeiramente o POVO DE DEUS!!
Que Deus nos ajude!
Diego Cintrão servo de Cristo Jesus, participante do Seu Povo, em busca do Verdadeiro Evangelho.

Um comentário:
Ótimo artigo! Aprendi bastante.
Creio que a nação eleita e o povo escolhido são constituídos por pessoas das mais diversas etnias. Pois todos que vencem, vencem em Cristo. Porque em Jesus culmina, cumpre-se, a aliança eterna que permite sermos chamados Povo de Deus pelo próprio Criador.
João 8:32 para todos.
LFVB
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